domingo, 2 de junho de 2013

Georg Simmel.....por profª Alcilene Rodrigues

Quem é?

Georg Simmel nasceu em Berlim em 01/03/1859 e faleceu em Estrasburgo em 28/09/1918.
Embora o nome de Georg Simmel nem sempre apareça entre os dos pais da Sociologia, sua obra teve grande importância no desenvolvimento do conhecimento sociológico.
Uma de suas preocupações foi, assim como Durkheim, discorrer sobre os objetos e a metodologia próprios do estudo da sociedade.
Simmel teve sua obra marcada pelo intenso crescimento urbano porque se passava Berlim, capital alemã, no final do século XIX e início do século XX. Atento a essas mudanças, desenvolveu um método de análise que ficou conhecido como microssociologia propondo olhar os fenômenos sociais nas suas pequenas manifestações. Para ele, a sociedade estava em constante transformação, sendo feita e refeita a partir das relações do dia à dia . Formado em história e filosofia, Georg Simmel foi muito influenciado pelo filosofo Emmanuel Kant, embora tenha sido na análise sociológica que empreendeu seu maior esforço. Os temas mais explorados em sua obra são a modernidade, o individuo moderno e a importância social do dinheiro. Sobre esse tripé analisou as mais diversas formas de interação tendo como pano de fundo a questão mais ampla da relação entre individuo e sociedade. Suas principais obras são coletâneas de ensaios, e entre seus textos mais famosos destaca-se : As grandes cidades e a vida do espírito (1903).

Tempos nervosos
A modernidade, incontestavelmente mudou o ritmo da produção. Mas não só isso, mudou o ritmo das ruas, das cidades, da vida, na verdade tudo isso foi acelerando. As formas de entretimento são bons exemplos: a quietude exigida pela leitura contrasta radicalmente com a velocidade da montanha russa ou do cinema de ação. Nossa capacidade de percepção também se alterou: pense na quantidade de variáveis em que você precisa prestar atenção enquanto joga uma partida de videogame. Não por acaso, as habilidades dos jovens do século XXI, deixam os mais velhos perplexos: falam ao telefone, checam e-mails, escutam música e fazem o dever de casa ao mesmo tempo.
Georg Simmel viveu antes deste nosso tempo de hoje, mas formulou um conceito que nos ajuda a pensar na aceleração do cotidiano e em suas consequências psíquicas: o conceito de intensificação da vida nervosa. No contexto da cidade, dizia ele, somos frequentemente expostos a estímulos-imagens, sons, rostos, anúncios que acabam exigindo de nós uma sensibilidade específica. temos que ser capazes de nos concentrar de manter um ritmo acelerado de produção e de nos adequar a um tempo marcado por um calendário estável, impessoal.
Os avanços tecnológicos e a racionalização da vida lembra-se do que Max Weber ensinou, contribuem para que o cotidiano se torne ao mesmo tempo mais simples e mais complicado.
Recapitulando
Aprendermos com Georg Simmel que a cidade oferece a cada um dos seus habitantes múltiplos estímulos que contribuem para formar uma personalidade psíquica peculiar. Um cidadão urbano é socializado a cada dia para enfrentar situações com alto nível de excitação, que exigem o desenvolvimento de habilidades específicas. Exemplo: mover-se na multidão, usar seletivamente os sentidos e comportar-se de maneira reservada quando julgar necessário.
Com a vida moderna nasceu um paradoxo: o cotidiano ficou ao mesmo tempo mais simples e mais complexos. A modernidade ampliou os horizontes dos indivíduos, mas trouxe novos desafios. Nas metrópoles, a complexidade da vida amentou por causa da enorme massa de indivíduos que nelas vivem: as filas para atendimento em repartições públicas, supermercados e hospitais são grandes e lentas, os congestionamentos de trânsitos podem durar muitas horas em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro. Morar em grandes centros urbanos muitas vezes significa ter de esperar quando se tem pressa. Nada mais estressante do que isso.
A vida moderna, que se mostrou tão promissora para o desenvolvimento da individualidade, do gosto pessoal, da cultura subjetiva, enfrenta ainda outro desafio a atração exercida pela cultura objetiva, que iguala os homens e ofusca suas singularidades. A "vida do espírito", dos indivíduos urbanos enfrenta tensão entre a originalidade e os constantes convites para seguir os passos da civilização, fazendo o que todo mundo faz, gostando do que todo mundo gosta e tendo o que todo mundo tem. Haja nervos!
Georg Simmel argumentou em seus escritos que para lidar com novos estímulos e acelerações, com a intensificação da vida nervosa, os habitantes das grandes cidades desenvolveram um comportamento estranho ao mundo rural e á cidade pequena, a que chamou atitude de reserva.
Homens e mulheres urbanos para preservar sua sanidade mental, acabam se fechando, se protegendo dos estímulos exteriores, se distanciando das emoções cotidianas. Aprendem a se tornar indiferentes aquilo que não lhes diz respeito diretamente, a mergulhar em si mesmos, a prestar atenção apenas ao seu pequeno círculo de convívio. Imagine, por exemplo, se você tivesse de cumprimentar ou saber o nome de cada pessoa com que você cruza no caminho entre sua casa e sua escola. Se você mora em uma cidade  grande, isso é simplesmente inconcebível. Simmel descreve essa impossibilidade com as seguintes palavras: A vida na metrópole acelerada seria marcada portanto pelas pluralidade de experiências e pelo anonimato das interações.


 Questões:
1- Impressionado com a variedade de estímulos que moradores das cidades grandes do início do século XX tinham de enfrentar a cada dia, Georg Simmel analisou as habilidades que eles desenvolviam para lidar com essa situação. Comparando a época de Simmel com os dias de hoje, você acha que alguma coisa mudou?
2- Aponte outros exemplos que ajudam a refletir sobre esse processo de diferenciação e identificação entre os vários lugares dos planetas.
3- Quais seriam as vantagens e desvantagens de comportamento reservado dos indivíduos na sociedade moderna?

Um comentário:

  1. To precisando de 15 perguntas com respostas sobre esse assunto pode me ajudar ?

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