terça-feira, 4 de junho de 2013

Walter Benjamim...por profª Alcilene Rodrigues

Apresentando
Walter Benjamim (adoro!)

Walter Benjamim, nascido em Berlim em 15/07/1892 e morreu em Porbou em 27/09/1940, foi ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo de cultura. Esse pensador de origem judaica deixou uma obra de difícil classificação, uma vez que escreveu sobre temas variados, e muitos de seus textos jamais foram concluídos.
Benjamim teve sua trajetória intelectual ligada a chamada Escola de Frankfurt, que reunia pensadores voltados para o desenvolvimento de uma teoria crítica social que ultrapassasse algumas das premissas de Marx e focasse as dimensões culturais do modo capitalista de produção. Expressões como indústria cultural e cultura de massa são heranças diretas dos estudos da Escola de Frankfurt e remetem a um universo de reflexões muito caro à sua obra.
Profundo conhecedor da língua francesa, Benjamim traduziu para o alemão obras dos escritores Marcel Proust e Charles Bandelaire, estabelecendo um forte vínculo entre a crítica social e a produção artística. Investiu também na análise do advento da modernidade e do conceito de história, sempre entre cruzando diferentes áreas do pensamento social. Entre suas obras mais conhecidas estão: A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica (1936), Teses sobre o conceito de história (1940), a inacabada Paris, capital do século XIX e Passagens, compilação de escritos publicado postumamente.
Benjamim era alemão, mas morreu sem nacionalidade defendida. Tomaram-lhe o passaporte alemão antes que conseguisse como exilado politico, a cidadania francesa. O nazismo o perseguiu duplamente, pois, além de judeu era comunista. Sua obra traz a marca desses trânsitos complicados entre diferentes identidades e territórios: para os comunistas seu apego ao judaísmo era inaceitável, para os judeus, suas referências marxistas não tinham cabimento. Para os filósofos seu trabalho era literário demais, para os críticos literários era muito sociólogo. Reconhecemos que seus críticos tem razão quando acusam de dispersivo e as vezes incoerente.
Com Benjamim iremos conhecer as chamadas passagens, galerias  parisienses do século XX cuidadosamente projetadas para atender e estimular o desejo de consumo das massas urbanas. esses espaços inspiraram as lojas de departamento e o shopping center que você provavelmente frequenta.
É preciso reconhecer que poucos pensadores sociais tiveram sensibilidade para observar o cotidiano da modernidade e decifrar as personagens da metrópole.
Como o próprio Benjamim disse, ele tinha interesse especial por aquilo que outros intelectuais classificam como " lixo". E foi assim que ele antecipou a reflexão critica sobre a fotografia, o cinema, as miniaturas, os brinquedos, a poesia, o flâneur ( passear), o ópio, a prostituta, assuntos e personagens considerados irrelevantes e indignos por muitos de seus contemporâneos.
Uma novidade aparente banal. como o surgimento do cartaz, também ganha outra dimensão nas mãos de Benjamim. 
Observando os cartazes que começavam a ser colados nos muros de Paris, ele reflete sobre a nova cultura urbana que então surgia, associada diretamente ao entretimento e ao consumo de produtos. De tão habituados a conviver com uma cidade repleta de cartazes e outdoors que divulgam produtos, espetáculos, idéias, nós nos esquecemos de que esse meio de comunicação foi uma invenção do século XIX. Antes não existia o conceito de "propaganda", até porque não havia uma produção significativa de bens de consumo. Não havia uma porção de produtos competindo pela preferencia de consumidor como há hoje. Quando Benjamim reflete sobre o surgimento dos cartazes, além de associa-la ao nascimento da nova sociedade de consumidores, ele também os vincula à chamada espetacularização da política. Pense na proximidade entre essas 2 operações: " campanha publicitarias" e "campanha politica".  A primeira promove um produto ou uma idéia. A segunda, uma pessoa ou seu projeto politico. Ambas dependem para alcançar seus objetivos, da utilização de recursos de comunicação que atinjam as massas urbanas. As mercadorias que se quer vender precisam "aparecer". Os políticos também. Cria-se, assim, o " palco da politica" onde se encena o "espetáculo da democracia". isso tem o seu lado bom e o seu lado ruim, segundo Benjamim.
É muito bom que tenha crescido o número de pessoas que participam dos processos eleitorais. É muito ruim, porém que a politica se tenha transformado em encenação. A discussão dos projetos e ideias foi substituída por um desfile de imagens produzidas para seduzir o eleitor, assim como se procura seduzir o cliente por meio das embalagens de um produto.

Um mundo em miniatura
Porque, afinal Benjamim julgou as passagens de Paris tão interessantes. Benjamim associa seu aparecimento sobretudo ao desenvolvimento do comércio de tecidos. Na época ainda não havia lojas de roupas prontas, e as pessoas comparavam tecidos para que a costureira ou o alfaiate produzisse as peças desejadas.
Mas as passagens segundo Benjamim não abrigavam somente lojas de tecidos: havia também o que se chamava de magasins de nouveatés, lojas de novidades. Nelas era possível encontrar uma infinidade de mercadorias de luxo que deslumbravam parisienses e turistas. Benjamim cita um guia ilustrado de Paris que dizia: Essas passagens uma recente invenção do luxo industrial, são galerias cobertas de vidro e com paredes revestidas de mármore que atravessam quarteirões inteiros, cujos proprietários se uniram para esse tipo de especulação. Em ambos os lados dessas galerias, que recebem a luz do alto, alinham-se as lojas mais elegantes, de modo que tal passagem é uma cidade em mundo em miniatura.
Para Benjamim, as passagens eram um mundo em miniatura em vários sentidos. Em primeiro lugar porque ali se encontravam diferentes mercadorias, vindas dos lugares mais remotos, principalmente das colônias francesas. Gente de toda parte do mundo vinha admira-las e consumi-las. As passagens permitiram perceber, em seu espaço, as várias contradições dos sistema capitalista mundo afora: a contradição entre abundancia e escassez, entre o império e a colônia, entre o tempo útil de um produto e o tempo descartável da moda, entre os que podiam entrar e consumir e os que ficavam do lado de fora sonhando.
Benjamim vê as passagens como locais de interesses trocas materiais e culturais verdadeiros espaços de exposição de produtos e de corpos. os consumidores desfilavam pelas galerias para ver e serem vistos. Alguns levaram para passear tartarugas com fitas de veludos amarradas ao pescoço! Esse hábito, que nos parece tão ridículo hoje, era uma maneira de forçar o passo lento.
As pessoas estavam sendo treinadas para incorporação de um habito novo de olhar vitrines e assim desejar o supérfluo, a novidade por ela mesmo.
Quantas vezes nos recusamos a usar uma peça de roupa ainda em bom estado só porque ela saiu de moda? Quantas vezes descobrimos que simplesmente não podemos viver sem aquele novo modelo de calcular, que nem sabíamos que existia até deparamos com ele em uma vitrine?
Benjamim nos ajuda a perceber a origem de uma poderosa associação: aquela entre consumo e lazer. hoje esse par nos parece natural. Muitas vezes vamos ao shopping curtir só para nos distrair ou relaxar. Acabamos, geralmente, comprando uma coisinha, fazendo um lanche. Ou seja, acabamos consumindo quando a intenção era passear. fazer compras se tornou uma atividade privilegiada em nosso tempo livre, o tempo do não trabalho.
                       Galeria Viviane- Paris, em 1880
                  Galeria Viviane - Paris, atualmente
As passagens parisienses eram espaços frequentados sobretudo pelas mulheres da classe média e da elite. Não se esqueça de que durante muito tempo e ainda hoje na sociedades mais tradicionais, as mulheres estiveram associadas ao espaço doméstico.Mesmo as mulheres mais pobres, que trabalhavam fora de casa, não era permitido circular pelo espaço públicos impunemente. Uma mulher de bem, de família, com sobrenome a ser preservado, não perambulava pelas ruas. Isso era coisa de outro tipo de mulher, a prostituta. As prostitutas frequentavam as ruas porque eram , por assim dizer mercadorias que precisavam ser expostas para o consumo masculino.
As passagens, assim como as lojas de departamento no inicio do século XX, vieram garantir as mulheres um espaço seguro onde podiam passear e se divertir sem serem confundidas.
A ironia rende no fato de que, para conquistar is espaços públicos, as mulheres tiveram que substituir a identidade da" mercadoria em si" pela de "consumidoras de mercadorias".
Benjamim vê as passagens como espaços ao mesmo tempo de opressão e de habitação. Eram opressoras porque empunham a ideologia do consumo. Mas também carregavam em si o que ele chamava de "utópicas promessas de liberdade", na medida em que apontavam para a possibilidade de ser constituir uma sociedade próspera e dominada pela tecnologia, funcionando como verdadeiras casas de sonhos coletivos, conforme sua expressão.
Ao longo de sua obra, Benjamim manteve uma preocupação constante com as transformações ocorridas em nossa maneira de perceber o mundo. Como os novos recursos tecnológicos alteram nossa maneira de perceber o que está ao nosso redor? A resposta a essa questão complicada foi dada em em um ensaio de título igualmente complicado. A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica, que foi escrita na década de 1920, quando a fotografia e o cinema ainda eram grandes novidades.
O progresso das técnicas de produção e as alterações da percepção, no diz benjamim, começam com a fotografia a se aprofundam com o cinema. Observe que a fotografia, ao contrário da pintura, não tem propriamente um original. Sem original é o negativo, que só se transforma em fotografia após a revelação. Por ter na reprodução mecânica a condição de sua própria existência, e por permitir um número infinito de cópia, a fotografia já nasce colocando em questão os conceitos de originalidade e autenticidade. Ela faz circular a imagem de objetos, paisagens, figuras humanas, mas também de obras de arte que eram únicas, só podiam ser contempladas por poucos e por isso mesmo parecia envoltas em uma espécie de aura. Pense, por exemplo, na Monalisa, de Leonardo da Vinci. durante muito tempo, esse quadro foi visto apenas por aqueles que tinham o privilégio de visitar o Museu do Louvre, em Paris. Hoje, graças à reprodução fotográfica, a pintura de da Vinci se tornou presente no imaginário de pessoas de diferentes idades e classes sociais, em vários lugares do mundo. E graças também a fotografia o sorriso enigmático da Monalisa pode estampar camisetas, panos de prato, tapetes, almofadas, a imaginação é o limite.
Para Benjamim o cinema, altera drasticamente nossa percepção do tempo com o cinema, aprendermos a incorporar descontinuidades e nos exercitamos como se estivessemos numa verdadeira máquina do tempo. Se as galerias eram mundos em miniaturas, o cinema é o mundo em pedaços. Um mundo de fantasias, de simulação, de reconstrução e de representação da realidade. Outra coisa que o cinema altera é a concepção de autoria. Além do diretor, há tantas pessoas envolvidas na produção do filme, os atores, o roteirista, o cinegrafista, o responsável pelos efeitos especiais, etc, que não cabe apontar um único autor.
Benjamim estava interessado em pensar sobre as alterações ocorridas não apenas nas maneiras de produzir imagens, mas também na formas de perceber o mundo. pense em como as pessoas deviam perceber seu próprio rosto antes de o espelho se tornar um objeto de uso comum. Elas podiam se utilizar de outras superfícies refletoras, mas certamente obtinham uma imagem menos definida de si mesmas. Hoje, ampliando uma fotografia nossa, podemos ver cada detalhe do nosso rosto cada pequena marca, cada poro. Usando ferramentas como o Photoshop, podemos ainda alterar detalhes do nosso próprio rosto ou compor imagens inexistentes na realidade, mas que parecem muito reais a quem observa.



Graças a invenção de novos instrumentos: espelhos, gravador, microscópio, luneta, câmera fotográfica, cinema, computador, cada época histórica altera a percepção que os seres humanos podem ter da realidade. 
Benjamim escreveu muitas páginas sobre os impactos das invenções na vida das pessoas, ressaltando não tanto seu aspecto "técnico", mas seu aspecto "existencial". Um bom exemplo é o da transmissão de memória. As sociedades ágrafas, ou sem escrita, que não dispõem de dispositivos tecnológicos de gravação e difusão da informação tem uma relação com a memória muito diferente da nossa. Nessas sociedades, a memória esta diretamente ligada a transmissão oral dos fatos dignos de serem lembrados, ao compartilhamento da informação entre os mais velhos e os mais jovens. Nessa relação com a memória é outra.
Quando queremos nos recordar de um evento coletivo do passado, fazemos uma pesquisa nos livros e nos jornais da época, sem falar na internet. para nos lembrarmos dos nossos primeiros anos de vida, recorremos aos álbuns de fotografia e aos videos feitos por nossos familiares. Isso não quer dizer que tenhamos perdido o gosto pelas histórias que nos contam nossos avós, que não compartilhamos oralmente de fatos passados, ou que não tenhamos mais a experiência afetiva da memória. Mas, como nos diz Benjamim, algo de muito importante mudou, primeiro com a introdução da escrita, depois com inúmeras ferramentas de busca, e de difusão da informação que encontrarmos a nosso dispor. Já não há necessidade de aquele que busca a informação e aquele que transmite estarem no mesmo espaço físico.
No caso da internet, muitas vezes nem sabemos de onde veio uma informação capaz de alcançar milhares de pessoas. 
Benjamim sempre procura, nos fenômenos sociais que observa, ponderar o que há de positivo e de negativo. Ele reconhece por exemplo, os benefícios que a reprodução técnica oferece em termos de preservação das obras de arte e ampliação de acesso a um contingente maior das pessoas. Sua análise, de maneira geral, nos permite ver a realidade como uma estrada que se abre em vários caminhos possíveis. Se isso muitas vezes complica o entendimento de suas reflexões, certamente as torna mais desafiadoras e interessantes.

Questões:
1- Émile Durkheim, ao formular o conceito de fato social, estabeleceu alguns critérios para definir as questões que interessam aos sociólogos. Responda: Porque apesar de Walter Benjamim ter estudado alguns temas que não fazem parte do repertório da sociologia de sua época, e não ser considerado um sociólogo seus temas podem ser considerados sociólogos?
2- Que temas estudados por Benjamim foram abordados?
3- Que aproximação podem ser feitas entre a análise de Marx e a de Benjamim sobre o capitalismo?
4- Com sua palavras, resuma os principais pontos de reflexões de Benjamim. Sobre a difusão da fotografia, que mudanças essa tecnologia provocou nas sociedades modernas?

Você sabia:
Tratamento de Imagem
O photoshop é um programa de computador com o qual podemos alterar imagens fotográficas dando-lhes novas cores, modificando proporções, recortando partes, adicionando figuras, enfim, recriando a imagem original de acordo com nosso gosto. Quem observa o resultado final sem comparar com o ponto de partida não imagina a quantidade de retoques feitos e onde eles estão localizados. esse recurso é muito utilizado nas fotografias e nos anúncios publicados nas revistas.




4 comentários:

  1. me deram essas perguntas mas to cheia de trabalho p fazer aonde posso encontrar as respostas

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    1. Voce tem que ler o texto...não tem essa de cheio de trabalhos não...assim voce não estuda e nem adquire conhecimento.

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  2. Como fazer um resumo sobre o assunto acrescentando questões sociológicas da atualidade?

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